Imagem capa - O nascimento da Joana - Meu relato de parto  por Nina Castro

O nascimento da Joana - Meu relato de parto


A data prevista do parto era para o dia 17 de dezembro. 

Tive uma consulta pré-natal na quarta-feira, dia 09.12. Durante o exame de rotina, eu tive uma contração com uma leve dor. Lembro do Dr. Álvaro, obstetra, me olhar desconfiado e dizer: “será que ela vem no domingo?”.

Na quinta-feira o tampão começou a sair.

Falei com a Pati, nossa doula, e ela disse pra gente relaxar e aproveitar os dias fazendo coisas que gostamos, e assim foi.

No dia 12 de dezembro, um sábado típico do nosso isolamento na pandemia, meu marido e eu passamos a manhã conversando muito sobre a vida, planos, as expectativas com a chegada da bebê, essas coisas.

Por volta das 14h comecei a sentir contrações com um certo desconforto, e mesmo sem ritmo, eu sentia que elas já não eram como as contrações de treinamento.

Por volta das 16h comecei a cronometra-las e avisei a Pati e ao Dr. Álvaro. Os dois disseram pra eu descansar, parar de cronometrar pra não ficar ansiosa e deixar as coisas seguirem seu fluxo.

Mandei mensagem pra Gabi, nossa fotógrafa, por volta das 18h dizendo que estava sentindo algo diferente, só pra deixar de sobreaviso, mas que eu achava que a bebê não chegaria no final de semana. Na minha cabeça, tudo ia demorar pra acontecer.

Como estava na mesma, contrações sem ritmo, por volta das 20h eu tomei um banho morno, e isso as fez espaçarem ainda mais.

As dores voltaram mais fortes por volta das 22h. Resolvi cronometrar novamente só pra saber mais ou menos de quanto em quanto tempo elas estavam acontecendo, e mesmo estando mais curto o intervalo entre uma contração e outra, ainda não tinham ritmo. Falei com a Pati novamente, ela disse pra tomar mais um banho, só que bem demorado.

Entrei no chuveiro por volta das 23h e não fiquei lá nem 3 minutos. Tive uma contração tão forte, que achei que fosse desmaiar de dor. Quando acabou, vi que estava sangrando. Meu marido estava comigo, eu olhei pra ele e disse: “se isso não é trabalho de parto, eu não sei mais o que é”. Liguei pra Pati e disse que estávamos indo pro hospital, ela avisou ao dr. Álvaro e a Gabi.




Estava tudo pronto pra esse momento. Só me troquei e fomos pro carro. Pegamos todos os faróis fechados no caminho e eu devo ter tido umas 4 contrações em menos de 10 minutos.

Chegamos ao hospital, fizeram o exame de toque. A médica disse que eu estava com 8 para 9 centímetros de dilatação. Eu fiquei em choque!




Como assim?! 8 a 9 centímetros? Comecei a chorar e foi aí que eu descobri um dos meus maiores medos: um parto rápido, a ponto de não conseguir assimilar o que estava acontecendo e com risco de não ter a equipe comigo.

Eu queria ter tempo de chegar no hospital com mais calma, colocar nossa playlist, conversar entre uma contração e outra, tomar as duas doses do antibiótico que precisava... mas não, lá estava eu com dilatação quase total , chorando e apavorada com o desconhecido a minha frente.




Troquei de roupa e me levaram pra sala de parto. Não demorou muito a Pati chegou, segurou minha mão e aquele gesto aqueceu meu coração. Meu marido estava tão ansioso e sem saber o que fazer que ficou mais aliviado que eu ao vê-la chegar. Em seguida a Gabi e o Dr Álvaro chegaram. Pronto! Eu teria um parto rápido, mas pelo menos todos estavam ali.

As dores ficavam cada vez piores e eu comecei a pedir por analgesia. Eu estava com tanta dor que nem lembrava desse nome “analgesia”, eu só falava: “eu quero aquele trem lá gente”.  Bem mineira ela né! 🤓 🚂 

Não lembro se cheguei a falar isso, mas eu com certeza pensei: “não sei como as mulheres passam por isso mais de uma vez”.




A Pati sugeriu eu ir pro chuveiro, pra tentar aliviar um pouco. Eu continuei pedindo: “eu quero aquele trem gente”, mas eles me lembravam o quanto eu queria um parto natural, me encorajavam, diziam que eu estava indo bem, e eu retrucava: “eu sei, mas é muita dor, e tomar isso não vai me fazer menos mãe”. 😂 Desesperada total!




Ainda no chuveiro, eu comecei a sentir vontade de empurrar. Saí de lá e sentei na banqueta. Cada contração era de uma dor absurda. O meu medo do parto rápido, sem tempo para assimilar tudo, estava acontecendo e não tinha volta, não tinha como parar. Quando percebi isso, parei de pedir analgesia.




Durante uma contração e outra na banqueta, senti que tinha feito “número dois” 💩 e lembro de dizer: “gente, nossa dignidade vai a zero nessa situação”. 🤦🏻‍♀️😂 Eu sabia que isso poderia acontecer e que é super normal, mas ninguém quer fazer isso na frente de 5 pessoas. Mas como todo o resto, eu tbm não podia controlar isso.






No momento que ela coroou, eles mostraram pra gente no espelho, e quando vi eu entrei em pânico. Só pensava: “meu Deus, eu já estou aqui parindo, ela vai sair mesmo.”

Então, as contrações começaram a espaçar um pouco e eu sentia como se eu quisesse “segurar” a bebê. Era quase involuntário isso.




Dr Álvaro percebeu e falou: “aproveite cada contração até o final, se você não fizer isso, vai ter que passar por mais contrações até que ela nasça. Se você aproveitar, logo ela vem e as dores acabam.” Isso me deu um pouquinho mais de coragem e tentei aproveitar, mas o cansaço era gigante. Nessa hora, Dr. Álvaro pegou meu rosto e disse: “Nina, olha pra mim. Sua filha está chegando. Agora é só vocês duas. Respira, confia e deixe ela vir.”




Isso me deu mais coragem e quando veio a próxima onda, eu empurrei com toda minha força e implorei pra ela nascer. 

Então, parece que o tempo parou, a dor simplesmente sumiu. Eu olhei pra baixo e vi o rostinho da minha filha pela primeira vez.  Ela veio pra mim com os bracinhos abertos como se quisesse me abraçar. Que sensação mais incrível!




Eu consegui. Olhei pro meu marido e disse “nós conseguimos”.




Que momento!

Dr Álvaro pegou minha mão e levou até o cordão umbilical que ainda pulsava. Não demorou muito e eu senti a placenta a sair.  Esperamos parar a pulsação para que meu marido cortasse o cordão.




Que incrível é o nosso corpo. Ele é capaz de criar um novo órgão do zero para que um outro ser possa ser gerado e suprido em todas as suas necessidades e depois, quando não é mais necessário, esse novo órgão apenas se vai. Já cumpriu lindamente  sua missão.




Parir foi a experiência mais sensacional da minha vida. Ela nasceu e eu renasci! Clichê, mas é verdade. Uma força avassaladora veio junto, é como se eu pudesse vencer qualquer obstáculo. E sabe aquele pensamento “como as mulheres passam por isso mais de uma vez”? Agora eu as entendo, porque eu faria tudo de novo.

Um turbilhão de emoções e sentimentos, adrenalina, ocitocina, e como a Pati dizia pra mim o tempo todo “é dor pra fazer neném nascer”, dor pra encher a nossa vida de mais amor por um serzinho que depende de você pra tudo, que tira suas noites de sono e sossego, mas mesmo assim, eu faria tudo de novo. Por ela, por mim!




Essa experiência me mostrou o quanto é importante ter ao seu lado uma equipe que te apoia, entende e respeita suas decisões, e não te deixa esquecer do que vc realmente queria e planejou no momento que vc pensa em desistir.

Nós, com certeza, não teríamos conseguido esse ambiente tão acolhedor sem o apoio da equipe que nos acompanhou e orientou nesse processo. Não tenho palavras suficientes para agradece-los. Foram todos tão carinhosos com a gente. Eu não sei explicar a ligação e amor que a gente desenvolve pelas pessoas que nos ajudam nessa jornada. Não sei se eles têm ciência de como são importantes pra nós, afinal são as pessoas que nos ajudaram no momento mais impar e transformador da nossa vida. Eu tentei expressar, mas não dá. Só agradeço demais por cada gesto, por toda ajuda, por cada palavra e incentivo. Sempre vou lembrar de vocês com um carinho sem igual.

A Joana tem muita sorte de ter sido recebida por vocês.

Obrigada mais um a vez! 💛




Nossa Joana chegou rodeada de amor e respeito com 39 semanas e 3 dias, através de um parto natural, na madrugada de um domingo - como o dr Álvaro havia suposto - dia 13.12.2020, as 2h40min, medindo 50cm e pesando 3600kg de puro amor, bochechas e muito, mas muito cabelo!


Medico obstetra: Dr. Álvaro Silveira Neto - https://www.instagram.com/dr.alvaroobstetra/?hl=pt-br

Doula: Patricia Bortolloto - https://www.instagram.com/nascercomrespeito/?hl=pt-br

Fotografa: Gabi Maistrovicz - https://www.instagram.com/gabivicz/?hl=pt-br

Grupo Nascer - https://www.instagram.com/gruponascer/?hl=pt-br